Notícias

Vantagens e desafios da reciclagem do vidro

Owens Illinois, a maior fabricante de embalagens de vidro do mundo, amplia o uso de cacos e torna seu processo produtivo mais sustentável

O ciclo infinito das embalagens de vidro sempre teve grande destaque na indústria vidreira, principalmente devido ao fato de o vidro ser 100% reciclável. Isso porque, durante a fusão, os cacos são utilizados no processo de fabricação com total aproveitamento, resultando em embalagens novas com as mesmas características de qualidade das produzidas a partir de matérias-primas virgens.
Ou seja, uma garrafa feita de vidro reciclado tem exatamente a mesma qualidade de outra feita com areia, barrilha, calcário e feldspato, que são os ingredientes 100% naturais e não tóxicos utilizados na produção do vidro. E é pensando em sustentabilidade que a Owens Illinois (O-I), a maior fabricante de embalagens de vidro do mundo, vem trabalhando para ampliar o uso de cacos na sua produção.
Em 2015, a O-I substituiu ainda mais matérias-primas por cacos, apontando o incremento de 1,3 ponto percentual na utilização de cacos no processo produtivo em comparação ao ano anterior. Isso é bastante significativo, considerando os desafios da reciclagem do vidro e o volume de toneladas produzidas.
Cada quilo de cacos utilizado na produção de novas embalagens substitui o equivalente a 1,2 quilo de matérias-primas virgens, o que proporciona ganhos na economia de recursos naturais, com benefícios para o meio ambiente e a sociedade. “A reciclagem do vidro também impacta sensivelmente o consumo de energia e a diminuição da emissão de gás carbônico. Na O-I, a cada 10% de cacos que colocamos nos fornos, diminuímos em 2,9% o consumo de energia elétrica utilizada e em 5% a emissão de CO², em comparação com a produção de embalagens a partir de matérias-primas virgens”, explica Lúcia Moreira, coordenadora de Sustentabilidade da Owens Illinois.
Recentemente, a empresa examinou a sua pegada de carbono por meio do estudo O-I: The Complete Life Cycle Assessment, que mediu as emissões desde a extração de matérias-primas, passando por produção, transporte e reutilização, até a reciclagem do vidro. O estudo atestou que as embalagens de vidro têm uma pegada de carbono menor do que as de plástico (PET) e, na maior parte do mundo, menor ainda do que as de alumínio.
Descarte correto e coleta são desafios
A reciclagem de embalagens de vidro contribui diretamente para a redução do consumo de matérias-primas virgens e, ao mesmo tempo, favorece o aumento da vida útil de aterros sanitários, pelo não descarte nesses locais. Também tem potencial para gerar emprego e renda a catadores e empresários que atuam em logística reversa. “Estamos trabalhando em diferentes frentes, com o objetivo de incrementar a compra de cacos de vidro para reciclagem. Considerando o ciclo infinito da embalagem de vidro, que é 100% reciclável, apoiamos projetos que promovem a logística reversa, o descarte e a coleta adequados das embalagens de vidro”, comenta Lúcia Moreira.
A coordenadora de Sustentabilidade da O-I explica que a indústria se depara com muitos desafios para fazer a reciclagem do vidro, como o alto custo do transporte, principalmente para largas distâncias, o baixo volume coletado por catadores e cooperativas, a informalidade do mercado de sucata e ainda a qualidade do vidro abaixo dos padrões mínimos necessários para o seu reaproveitamento. “É fundamental a participação efetiva de todos os atores da cadeia produtiva, especialmente para promover a correta separação e destinação dos vasilhames após o consumo. Colocar tampinhas, por exemplo, dentro das garrafas, prejudica a reciclagem”, diz Lúcia Moreira.
Imagem: Reprodução Internet