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Transporte de produtos perigosos é o mais oneroso

Estudo feito pela consultoria LCA para a Confederação Nacional da Indústria (CNI) mostrou que no caso de embalagens e outros resíduos com valor econômico, os custos com reciclagem pesam, mas são distribuídos entre os agentes de mercado.
A logística reversa é mais onerosa no segmento de produtos perigosos, por exigir gastos com transporte, armazenamento e descontaminação dos resíduos. Segundo o diretor de políticas públicas e tributação da LCA, Bernard Appy, embora exista um mercado, ele não suficientemente grande o que faz com que a indústria arque com todos os custos. Esse custo é repassado aos produtos da indústria, gerando uma cadeia de tributos. Pensando em possíveis soluções, uma alternativa é a cobrança de um ecovalor- relativo ao custo da logística.
Na reciclagem do vidro, o custo do frete é o mais pesado. Segundo o consultor de reciclagem da Associação Técnica Brasileira das Indústrias Automáticas de Vidro (Abividro), Stefan David, as fábricas brasileiras estão geralmente nos centros urbanos, próximas dos clientes e dos centros de consumo. “Os vasilhames saem, por exemplo, de São Paulo para vários pontos do País e precisam retornar para ser reaproveitados nas fábricas. Em muitos casos é necessário rodar mais de mil quilômetros e o custo pode representar 60% do valor do caco de vidro, insumo utilizado na produção. A ideia é que o ganho com esta desoneração seja investido na logística reversa”, explica David.
Para Victor Bicca, presidente do Compromisso Empresarial para a Reciclagem (Cempre), mantido por mais de 50 empresas, é preciso encontrar formas criativas de explorar a indústria de reciclagem. “Se não houver benefício, não teremos indústria para promover a reciclagem que o país necessita. Não adianta ampliar a coleta porque vai chegar uma hora em que teremos um volume enorme de material, mas não teremos quem compre, já que os preços são muito elevados.”
Fonte: Valor Econômico (Autor: Maria Alice Rosa) / SP4 Comunicação