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Liminar suspende corte de gás no Rio

Cálculos da Federação das Indústrias indicam que o PIB do Estado perdeu pelo menos R$ 19 milhões na 3ª-feira

Kelly Lima, Alberto Komatsu e Nicola Pamplona

Uma liminar obtida pelo governo do Estado restabeleceu ontem o fornecimento de gás a indústrias e postos de gás natural veicular (GNV) no Rio, apenas um dia após a redução de 17% no suprimento imposta pela Petrobrás. Segundo cálculos da Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan), o Produto Interno Bruto (PIB) fluminense perdeu pelo menos R$ 19 milhões na terça-feira. “Estamos ainda levantando as perdas de cada uma das empresas e certamente este valor deverá aumentar”, disse o presidente da Firjan, Eduardo Eugênio Gouvea Vieira.
As indústrias de vidro e os setores químico e siderúrgico estão entre os prejudicados pelo corte. Há informações de que a Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) teve um corte de 20% no fornecimento de gás à Usina de Volta Redonda. A empresa não se manifestou sobre o assunto. Vieira afirmou que foi procurado pelos dirigentes das siderúrgicas Gerdau e CSN, “perplexos” com o corte. Também a Bayer teve um corte de 10% de sua produção durante o dia de ontem.“Em nenhum momento as empresas foram avisadas, e esta atitude unilateral surpreendeu a todos.”

Proprietários de carros movidos a GNV também se mostraram surpresos com a falta do combustível nos postos. “Normalmente é fácil (abastecer), mas hoje teve esse transtorno. Falaram que foi um problema com a Petrobrás”, disse o motorista de táxi Klay Wilson, de 22 anos, dizendo-se temeroso com o desenrolar da situação. “A gente precisa disso para trabalhar.”

Seu colega Benedito Santos, de 50 anos, contou que teve de percorrer três postos para encontrar o combustível. A CEG chegou a suspender o fornecimento para 89 dos 452 postos que vendem GNV no Estado, como medida de segurança para evitar o desabastecimento de clientes comerciais e residenciais. “Estamos sendo enganados. No início do GNV, fizeram a maior propaganda. Parece que essa situação está indo para o mesmo caminho do Pró-Álcool”, reclamou Santos.

A liminar foi obtida pelo governo do Estado ainda no fim da noite de terça-feira, mas a Petrobrás só foi notificada na manhã de ontem.

CRÍTICAS

Segundo a CEG, o suprimento começou a aumentar gradualmente a partir das 9h30. Durante a tarde, técnicos da companhia foram às ruas abrir medidores de postos de combustíveis. Até o início da noite, porém, não havia um balanço sobre qual o volume recebido da estatal e quantos postos foram abertos.

A companhia recebeu críticas da indústria de vidros, para quem houve falta de diálogo com a Petrobrás. “Há 20 dias a Petrobrás comunicou as duas distribuidoras. A Comgás concordou em conversar, mas a CEG não”, disse o superintendente da Associação Técnica Brasileira das Indústrias Automáticas de Vidro (Abividro), Lucien Belmonte.

Segundo ele, o setor só não teve grandes problemas por manter um estoque emergencial de gás liquefeito de petróleo (GLP), o gás de cozinha. A indústria de vidro do Rio consome, em média, 250 mil metros cúbicos diários de gás natural. A Firjan informou que vai prestar assessoria jurídica para que empresas prejudicadas pela redução no fornecimento de gás possam acionar a Petrobrás. Além disso, vai pedir ao governo medidas que afastem a possibilidade de novo apagão.
Fonte OESP 01/11